Buraco negro no centro da Via Láctea passou por erupção violenta, revela estudo
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Cientistas descobriram que o buraco negro no centro da Via Láctea passou por uma erupção violenta há séculos.
O buraco negro que fica no coração da Via Láctea, nossa galáxia, pode não ser tão “quieto” quanto os cientistas imaginavam. Um novo estudo revelou que Sagitário A* — o buraco negro supermassivo localizado no centro galáctico — passou por uma erupção extremamente energética no passado, liberando uma quantidade de radiação muito maior do que a observada atualmente.
A descoberta muda a forma como os astrônomos enxergam o comportamento do buraco negro central da Via Láctea e ajuda a explicar alguns fenômenos misteriosos observados há décadas na região.
Um gigante silencioso… até agora
Sagitário A* tem uma massa equivalente a cerca de 4 milhões de sóis e está a aproximadamente 27 mil anos-luz da Terra. Apesar do tamanho colossal, ele sempre foi considerado relativamente calmo quando comparado a buracos negros ativos de outras galáxias, que emitem jatos de energia visíveis a enormes distâncias.
Por isso, a ideia de que ele tenha passado por uma erupção intensa surpreendeu a comunidade científica. Segundo os pesquisadores, esse evento aconteceu há alguns séculos, um piscar de olhos em termos cósmicos.
Como os cientistas descobriram isso?
O mais curioso é que ninguém “viu” essa erupção diretamente. Em vez disso, os astrônomos encontraram ecos da explosão, preservados em nuvens de gás próximas ao centro da galáxia.
Funciona assim: quando o buraco negro libera uma grande quantidade de energia, essa radiação se espalha pelo espaço. Parte dela atinge nuvens de gás e poeira, que refletem essa luz. Séculos depois, essa radiação refletida finalmente chega até os telescópios da Terra, permitindo que os cientistas reconstruam o que aconteceu no passado.
É como ouvir um eco muito tempo depois de um grito em uma caverna gigante.
Tecnologia de ponta revelou o segredo
A descoberta só foi possível graças ao uso de telescópios espaciais modernos, especialmente observatórios de raios X, capazes de detectar detalhes extremamente sutis na radiação refletida pelas nuvens de gás.
Esses instrumentos permitiram identificar que, durante a erupção, Sagitário A* chegou a brilhar milhares de vezes mais do que hoje em raios X — um sinal claro de que o buraco negro estava muito mais ativo naquele período.
O que causou a erupção?
Os cientistas acreditam que o evento pode ter sido provocado pela queda repentina de grandes quantidades de gás ou até de uma estrela na região próxima ao buraco negro. Quando esse material se aproxima demais, ele se aquece de forma extrema antes de ser engolido, liberando enormes quantidades de energia.
Esse tipo de comportamento é comum em buracos negros ativos, mas não se esperava que o da Via Láctea tivesse passado por algo tão intenso em um passado relativamente recente.
Uma Via Láctea mais ativa do que parecia
Essa descoberta reforça a ideia de que a Via Láctea teve um passado mais turbulento do que se imaginava. Mesmo hoje parecendo tranquila, a galáxia pode ter vivido períodos de intensa atividade, com explosões energéticas capazes de alterar o comportamento do gás e das estrelas ao redor.
Para os astrônomos, Sagitário A* funciona como um arquivo natural do passado cósmico, guardando pistas importantes sobre a história da nossa galáxia.
Com novos telescópios e missões espaciais sendo lançados nos próximos anos, os cientistas esperam encontrar mais sinais de atividades antigas do buraco negro central da Via Láctea e talvez até descobrir se essas erupções acontecem em ciclos.
Enquanto isso, a descoberta serve como um lembrete: mesmo aquilo que parece estável no Universo pode esconder um passado explosivo.
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