Cuba registra 0°C pela primeira vez na história em meio à crise econômica
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Cuba registra temperatura recorde de 0°C em Matanzas enquanto enfrenta crise econômica e queda forte no turismo em 2025.
Cuba viveu uma madrugada histórica e difícil, nesta terça-feira (3). O país registrou a menor temperatura já medida em seu território, ao atingir pela primeira vez o ponto de congelamento. O recorde aconteceu em um momento especialmente delicado para a ilha, que enfrenta uma crise econômica profunda, com serviços públicos instáveis e queda acentuada no turismo.
A marca foi registrada pela estação meteorológica de Indio Hatuey, localizada na província de Matanzas, que apontou 0°C. Até então, o recorde de frio em Cuba era de 0,6°C, registrado em 1996.
O fenômeno foi provocado por uma massa de ar polar vinda da América do Norte, que derrubou as temperaturas em vários pontos do Caribe e também atingiu regiões próximas dos Estados Unidos.

Massa de ar polar causou geada e afetou até a Flórida
O frio intenso causou impactos visíveis. Houve registro de geada em plantações e queda brusca de temperatura em diferentes áreas do país.
O mesmo sistema meteorológico também foi sentido na Flórida, nos Estados Unidos. Por lá, moradores relataram um fenômeno comum em ondas de frio: iguanas caindo de árvores devido à queda de temperatura, já que esses animais ficam temporariamente paralisados quando o clima fica muito frio.
Apesar de Cuba ter episódios de inverno, atingir 0°C é considerado extremamente raro para o padrão climático da ilha.
Recorde ocorre no pior momento econômico do país
O novo recorde de temperatura não acontece em um cenário isolado. Cuba atravessa uma fase de fragilidade econômica, com dificuldades relacionadas a:
- falta de combustível
- apagões frequentes
- escassez de alimentos e produtos básicos
- problemas de abastecimento em diferentes regiões
Esse contexto tem afetado diretamente o dia a dia da população e também um dos setores mais importantes para o país: o turismo.

Turismo despencou em 2025 e ficou abaixo da meta oficial
O turismo, que é uma das principais fontes de renda de Cuba, fechou 2025 com 1,8 milhão de visitantes, um número muito inferior à meta do governo, que era de 2,6 milhões.
Além disso, o setor teve uma queda de 17,8% em comparação a 2024, refletindo o impacto da instabilidade nos serviços e das dificuldades estruturais enfrentadas pela ilha.
Entre os fatores apontados como decisivos para essa retração estão:
- apagões recorrentes em áreas turísticas
- falta de produtos essenciais
- escassez de combustível
- problemas em serviços públicos
Países emitem alertas para viajantes
Com o agravamento da situação, alguns países passaram a emitir orientações para quem pretende viajar a Cuba.
Canadá, Espanha e Reino Unido chegaram a recomendar que turistas redobrem a atenção, especialmente em relação a infraestrutura e serviços básicos.
Já a Argentina foi além e recomendou que seus cidadãos evitem deslocamentos para a ilha, citando falhas em serviços públicos e problemas no acesso a suprimentos, inclusive itens sanitários.
A combinação entre um fenômeno climático raro e um cenário econômico instável reforça o momento difícil vivido por Cuba. O recorde de frio se soma a uma lista de desafios que afetam tanto a população quanto setores estratégicos do país, como o turismo.
Enquanto o governo e autoridades meteorológicas monitoram os efeitos da massa de ar polar, a preocupação permanece: Cuba enfrenta um dos períodos mais delicados das últimas décadas, com impactos que vão do clima ao colapso de serviços essenciais.
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