Morcego gigante ligado ao vírus Nipah chama atenção, mas risco ao Brasil é baixo
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Raposa-voadora é associada ao vírus Nipah, mas especialistas explicam por que o risco de chegada e disseminação no Brasil é baixo.
A chamada raposa-voadora, um dos maiores morcegos do mundo, voltou ao centro das discussões após ser associada a surtos do vírus Nipah em países asiáticos. Apesar do alerta internacional, pesquisadores e autoridades de saúde reforçam que não há risco imediato para o Brasil, principalmente por fatores geográficos e biológicos.
O tema ganhou destaque após novos registros da doença na Ásia, reacendendo o debate sobre vírus zoonóticos — aqueles que podem passar de animais para humanos.
O que é a raposa-voadora
A raposa-voadora pertence ao gênero Pteropus e se destaca pelo porte incomum. Algumas espécies chegam a ter mais de 1,5 metro de envergadura, com asas abertas, e peso superior a 1 quilo.
Esses morcegos vivem em regiões tropicais da Ásia, Oceania e ilhas do Pacífico. Apesar da aparência imponente, alimentam-se basicamente de frutas, néctar e flores, desempenhando um papel fundamental na polinização e dispersão de sementes.

Entenda o que é o vírus Nipah
O vírus Nipah é considerado um patógeno de alta letalidade em casos graves. A infecção pode provocar sintomas como febre, dores musculares, problemas respiratórios e, em situações mais severas, inflamação no cérebro.
Em surtos registrados no passado, a transmissão ocorreu principalmente por:
- contato direto com secreções de morcegos infectados;
- consumo de frutas ou bebidas contaminadas;
- transmissão indireta por animais intermediários, como suínos.
Até o momento, não existe vacina amplamente disponível contra o vírus.
Por que o Brasil não está em risco
Especialistas afirmam que o Brasil não apresenta condições favoráveis para a circulação do vírus Nipah. O principal motivo é a ausência natural da raposa-voadora no continente americano, o que reduz drasticamente a chance de introdução do vírus.
Além disso, não há registros de casos da doença em humanos ou animais no país, nem evidências científicas de que espécies de morcegos brasileiras possam hospedar o vírus de forma natural.
Outro fator importante é a distância geográfica entre o Brasil e as regiões onde o Nipah é endêmico, o que dificulta a disseminação espontânea do patógeno.
Monitoramento e prevenção continuam ativos
Mesmo com risco considerado baixo, autoridades de saúde mantêm o monitoramento constante de vírus emergentes. A experiência recente com a pandemia de Covid-19 reforçou a importância da vigilância epidemiológica e da rápida identificação de ameaças globais.
Pesquisadores também alertam que o avanço humano sobre áreas naturais aumenta o contato com animais silvestres, o que pode favorecer o surgimento de novas doenças no futuro.
Especialistas destacam que a raposa-voadora não deve ser vista como vilã. O animal tem papel essencial no equilíbrio ambiental, e a desinformação pode gerar medo injustificado.
O foco das autoridades segue sendo a prevenção, a ciência e a informação de qualidade, evitando alarmismo e reforçando a importância da preservação ambiental como forma de proteção à saúde humana.
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