OMS atualiza alerta sobre vírus Nipah e descarta risco global imediato
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Organização Mundial da Saúde afirma que risco global do vírus Nipah é baixo e destaca diferenças importantes em relação à covid-19.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou nesta semana o alerta internacional sobre o vírus Nipah, após a confirmação de novos casos na Índia. Apesar da preocupação gerada pelo histórico de alta letalidade da doença, a entidade afirmou que o risco de disseminação global segue considerado baixo, e que não há indicação, neste momento, de que o cenário possa evoluir para uma situação semelhante à pandemia de covid-19.
Os casos mais recentes foram registrados em um estado indiano que já havia enfrentado surtos anteriores da doença. Segundo autoridades locais, os pacientes receberam atendimento médico imediato e os protocolos de isolamento e rastreamento de contatos foram rapidamente acionados. Até agora, não houve registro de transmissão em larga escala, o que reforçou a avaliação mais cautelosa da OMS.
O que é o vírus Nipah
O vírus Nipah é um patógeno zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. Ele foi identificado pela primeira vez no fim da década de 1990, na Malásia, e desde então apareceu de forma esporádica em países do sul e sudeste asiático, principalmente Índia e Bangladesh.
A principal fonte do vírus são morcegos frugívoros, que podem contaminá-lo por meio de alimentos ou ambientes compartilhados. Em alguns casos, também há transmissão entre pessoas, especialmente em contextos hospitalares ou de contato muito próximo com indivíduos infectados.
Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dor de cabeça intensa, náusea e fadiga, mas a doença pode evoluir rapidamente para quadros graves, como encefalite (inflamação do cérebro), levando a complicações neurológicas e até à morte.
Alta letalidade, mas baixa capacidade de espalhamento
Um dos pontos destacados pela OMS é que, apesar da alta taxa de mortalidade, que pode variar significativamente dependendo do surto, o vírus Nipah apresenta baixa capacidade de transmissão sustentada entre humanos. Essa característica o diferencia de vírus respiratórios altamente contagiosos, como o SARS-CoV-2, responsável pela covid-19.
Enquanto a covid se espalha facilmente pelo ar, o Nipah exige contato direto com fluidos corporais, secreções ou ambientes muito específicos para que a infecção ocorra. Isso reduz drasticamente as chances de propagação em massa, especialmente quando medidas básicas de controle são adotadas rapidamente.
Outro fator importante é que pacientes infectados tendem a desenvolver sintomas graves em pouco tempo, o que limita o período em que podem transmitir o vírus sem saber que estão doentes.

Diferenças em relação à covid-19
A OMS fez questão de reforçar que não há paralelos diretos entre o atual surto de Nipah e o início da pandemia de covid-19. Além da forma de transmissão distinta, o Nipah não apresenta circulação silenciosa em grande escala, nem registros de mutações que indiquem aumento súbito de transmissibilidade.
Além disso, os sistemas de vigilância epidemiológica hoje estão mais preparados, especialmente em países que já lidaram com o vírus no passado. A Índia, por exemplo, tem experiência prévia no controle de surtos localizados, o que contribuiu para uma resposta mais rápida.
A OMS afirmou que continuará acompanhando a situação de perto, avaliando possíveis mudanças no comportamento do vírus. Especialistas reforçam que surtos como esse servem de alerta para a importância da vigilância global e do investimento contínuo em sistemas de saúde pública.
Embora o nome do vírus desperte apreensão, especialmente após a experiência recente com a covid-19, o consenso científico atual é de que o Nipah não representa uma ameaça pandêmica iminente, desde que os protocolos de controle sejam mantidos e respeitados.
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