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# Proposta do governo para delivery pode encarecer comida e derrubar pedidos
- URL: https://foleto.com/proposta-do-governo-para-delivery-pode-encarecer-comida-e-derrubar-pedidos/
- Published: 2025-12-10T20:54:52.000Z
- Updated: 2025-12-10T20:54:52.000Z
- Author: Mateus Barreto
- Tags: Economia, Notícias, #Import 2026-01-06 07:02

Proposta do governo Lula para delivery prevê taxa mínima, pode elevar preços, reduzir pedidos e afetar entregadores e pequenos restaurantes.

O governo Lula decidiu retomar a discussão sobre a regulamentação dos aplicativos de delivery e colocou a missão nas mãos de Guilherme Boulos, atual secretário-geral da Presidência. A proposta reapresentada é a mesma que Boulos defendia quando era deputado federal e prevê a criação de **uma taxa mínima obrigatória de R$ 10 por entrega**, acrescida de **R$ 2,50 por quilômetro rodado**.

Embora o discurso oficial seja o de proteger os entregadores, o projeto acendeu um alerta em todo o setor. Empresas, pequenos restaurantes e até parte significativa dos próprios entregadores veem risco de aumento de preços, queda de pedidos e redução de oportunidades de trabalho.

## Impacto direto no preço da comida

De acordo com um estudo do iFood, a adoção da taxa mínima pode provocar **aumento de até 22% no preço final de lanches e marmitas**. A conta é simples: com o custo da entrega mais alto, restaurantes tendem a repassar essa diferença ao consumidor.

Além disso, a empresa projeta uma **queda de aproximadamente 40% no volume de pedidos**, especialmente nos pedidos de menor valor. São justamente esses pedidos que sustentam boa parte do delivery em bairros periféricos e em cidades menores.

Para consumidores de baixa renda, a mudança pode significar menos acesso a refeições por aplicativo — ou até a volta do fogão como única opção viável no dia a dia.

![](https://foleto.com/content/images/2025/12/food-delivery-man-with-boxes-with-food.jpg)

****Imagem Ilustrativa**

## Pequenos restaurantes sob risco

Quem mais teme a proposta são os **pequenos restaurantes**, principalmente aqueles que dependem quase exclusivamente dos aplicativos para vender. Esses estabelecimentos operam com margens apertadas e vivem do alto volume de pedidos.

Com menos demanda e custos mais altos, muitos podem ser forçados a deixar as plataformas ou até fechar as portas. Proprietários afirmam que a tabela fixa ignora diferenças regionais e tira a flexibilidade necessária para sobreviver em um mercado já competitivo.

Na prática, a medida pode acabar fortalecendo grandes redes — que conseguem absorver custos — enquanto enfraquece negócios locais.

## Entregadores em grande maioria contra

Apesar de a proposta ser apresentada como uma defesa do trabalhador, os dados não confirmam esse apoio. Uma pesquisa do **Datafolha aponta que 75% dos entregadores preferem manter o modelo atual**, sem vínculo empregatício obrigatório ou tabelas fixas.

A principal razão é a flexibilidade. Muitos entregadores afirmam que preferem ganhar menos por entrega, mas ter mais pedidos disponíveis ao longo do dia. Com menos pedidos circulando, mesmo taxas mais altas podem resultar em **queda da renda mensal**.

Além disso, entregadores temem que pedidos pequenos desapareçam, reduzindo ainda mais as oportunidades de trabalho.

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## Um dilema político e econômico

A proposta escancara um dilema recorrente do governo: como regular sem sufocar um setor que cresceu justamente pela flexibilidade. O delivery se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros, oferecendo conveniência, preço acessível e geração de renda rápida.

Críticos dizem que o projeto aposta em um modelo rígido, desconectado da realidade econômica e social do país. Já defensores afirmam que o Estado precisa agir para evitar precarização do trabalho.

O desafio, no entanto, é evitar que uma política pensada para proteger acabe **encarecendo a comida, reduzindo empregos e afastando consumidores**.

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Com o apoio do Planalto e a articulação de Boulos, a proposta deve avançar no debate público e no Congresso. Ainda assim, a resistência de entregadores, empresas e pequenos comerciantes indica que o texto dificilmente passará sem mudanças.

O futuro do delivery no Brasil está em jogo e, junto com ele, o preço da comida, a sobrevivência de pequenos negócios e o modelo de trabalho de milhares de brasileiros.