Rússia proíbe “Movimento Satanista” e enquadra grupo como extremista
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Suprema Corte da Rússia classifica “Movimento Satanista Internacional” como extremista e proíbe atividades. Decisão gera debate.
A Suprema Corte da Rússia decidiu enquadrar o chamado “Movimento Satanista Internacional” como uma organização extremista e determinou a proibição oficial de qualquer atividade relacionada ao grupo em todo o território russo. A decisão foi tomada em uma audiência fechada, conduzida pelo juiz Oleg Nefedov, após solicitação apresentada por autoridades do país.
De acordo com informações divulgadas por veículos internacionais, a justificativa oficial do governo russo é que a medida seria necessária para proteger os chamados “valores tradicionais” e evitar riscos considerados morais e sociais. A determinação é ampla e inclui desde rituais e reuniões até a divulgação de conteúdos, símbolos ou ideias que possam ser associadas ao movimento.
A medida, no entanto, também gerou repercussão fora do país, especialmente porque analistas apontam que não existe uma organização mundialmente estruturada com esse nome específico, levantando dúvidas sobre o real alvo da decisão.

Proibição ampla e risco de punições
Ao classificar uma entidade como “extremista”, a Rússia costuma aplicar restrições severas, que podem envolver bloqueio de sites, investigações criminais e punições a pessoas que promovam ou participem de atividades ligadas ao grupo.
Com a decisão, qualquer tipo de material ou manifestação que seja interpretada como ligada ao “Movimento Satanista Internacional” pode se tornar alvo de repressão. Isso inclui publicações na internet, eventos privados e até discursos considerados de “propaganda” do movimento.
A legislação russa sobre extremismo é frequentemente citada por organizações de direitos humanos como uma das ferramentas usadas pelo Estado para limitar ações e discursos que não se encaixam no modelo ideológico defendido pelo governo.
Apoio da Igreja Ortodoxa Russa
Após o anúncio da decisão, o Patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa, manifestou apoio à proibição. Em declarações divulgadas pela imprensa, ele afirmou que correntes relacionadas ao satanismo teriam impacto negativo, principalmente sobre a juventude.
A Igreja Ortodoxa tem grande influência cultural e política na Rússia e costuma atuar em conjunto com o governo em pautas ligadas à moralidade, identidade nacional e costumes. O apoio público do Patriarca reforça o discurso de que a medida seria necessária para preservar a “integridade espiritual” do país.

A medida também foi interpretada por analistas como parte de um esforço maior do Kremlin para reforçar o controle ideológico e cultural. Nos últimos anos, o governo russo tem ampliado ações voltadas à defesa de “valores tradicionais”, frequentemente associando movimentos considerados contrários a esses valores a ameaças internas.
Críticos afirmam que, ao utilizar a categoria “extremismo”, o Estado pode legitimar ações repressivas com forte impacto simbólico. Nesse contexto, a proibição do chamado “Movimento Satanista Internacional” poderia funcionar como uma forma de consolidar a narrativa de que o país estaria em luta contra influências externas e culturais vistas como perigosas.
A decisão da Suprema Corte da Rússia repercutiu internacionalmente e reacendeu discussões sobre liberdade religiosa, censura e o uso de leis antiextremismo. Organizações e especialistas apontam que, dependendo de como a proibição for aplicada, ela pode atingir não apenas grupos específicos, mas também indivíduos e manifestações culturais que o governo decida enquadrar dentro do conceito.
Até o momento, não foram divulgados detalhes completos do processo judicial, já que a audiência ocorreu sem acesso público.
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