Depósitos a prazo e certificados de aforro em Portugal: como comparar rendimento em 2026

Compare depósitos a prazo e Certificados de Aforro em Portugal em 2026: TANB/TANL, liquidez, IRS e um método simples antes de aplicar o dinheiro.

Moedas e calculadora sobre mesa de planejamento financeiro

Publicidade

Com a Euribor e as ofertas dos bancos a mudarem ao longo de 2026, muita gente em Portugal volta à mesma dúvida: deixar o dinheiro num depósito a prazo ou subscrever Certificados de Aforro (e, em alguns casos, Certificados do Tesouro) via IGCP? A resposta quase nunca é “um produto é sempre melhor”. O que importa é saber comparar rendimento líquido, liquidez e condições.

Neste guia prático explico a diferença entre os produtos, como ler TANB e TANL, o essencial da fiscalidade, penalizações de resgate e um método simples para decidir — sempre apontando para as fontes oficiais (sites dos bancos e igcp.pt), porque as taxas mudam todos os meses.

O que é um depósito a prazo

É um contrato com um banco (ou outra instituição de crédito) em que você entrega um montante por um prazo definido — 3, 6, 12 meses ou outro — e recebe juros segundo a taxa e as regras da Ficha de Informação Normalizada.

Pontos típicos a ler antes de assinar:

  • TANB (Taxa Anual Nominal Bruta) e, se indicada, TANL (líquida de imposto)
  • Prazo e se há renovação automática
  • Montante mínimo e máximo
  • Se é mobilizável (pode levantar antes) e qual a perda de juros
  • Exigência de “dinheiro novo”, ser cliente novo ou cruzar com outros produtos
  • Comissões da conta à ordem associada

Os depósitos de particulares em bancos aderentes ao Fundo de Garantia de Depósitos têm proteção até ao limite legal por depositante e instituição (o referencial habitual é 100.000 € — confirme sempre a informação atual do Fundo). Isso não torna o produto “igual” aos certificados: são garantias de natureza diferente.

Se a conta bancária em si já custa caro, comece por rever comissões: o guia de serviços mínimos bancários e comissões em 2026 ajuda a não perder nos custos o que ganha nos juros.

O que são Certificados de Aforro

Os Certificados de Aforro são instrumentos de dívida pública portuguesa, pensados para poupança das famílias, colocados pelo IGCP. A série em comercialização (hoje a referência pública é a Série F) tem, em regra:

  • Taxa variável, revista periodicamente (lógica indexada a taxas de mercado de curto prazo, com tecto e piso definidos na ficha técnica)
  • Juros com vencimento trimestral e capitalização automática do valor líquido
  • Prémios de permanência conforme a antiguidade da subscrição (detalhe na ficha da série)
  • Prazo longo de vida da subscrição (até ao máximo previsto na ficha — a referência clássica é 15 anos)
  • Subscrição mínima inicial (historicamente 100 € / 100 unidades) e mínimos para reforços

A taxa base publicada para novas subscrições em determinado mês deve ser lida em igcp.pt. Em períodos em que a Euribor a 3 meses está acima do tecto da série, a taxa base das novas subscrições pode ficar no máximo permitido pela fórmula — o que não significa que vá ficar eternamente nesse valor. Se a Euribor cair, a taxa base pode acompanhar a descida dentro das regras da ficha.

Não memorize um número de blog: abra a notícia/taxa do mês no IGCP antes de decidir.

Certificados do Tesouro: primo diferente

Além dos Aforro, o IGCP comercializa Certificados do Tesouro (séries próprias). Em traços gerais costumam ter:

  • Taxa com perfil diferente (muitas vezes mais previsível ao longo do prazo da série)
  • Juros com periodicidade distinta (ex.: anual, conforme a série)
  • Regras de resgate mais rígidas no início (ex.: só após o primeiro ano — valide na ficha atual)
  • Montante mínimo frequentemente mais alto do que nos Aforro

Compare Aforro e Tesouro como produtos diferentes. “É do Estado” não basta: liquidez e calendário de juros mudam o encaixe no seu objetivo.

TANB, TANL e o imposto de 28%

A TANB é a taxa bruta anual nominal. Em Portugal continental, os juros de depósitos e de certificados de aforro/tesouro para particulares estão, em regra, sujeitos a retenção de IRS à taxa liberatória de 28% (há especificidades para Açores/Madeira e opções de englobamento).

Regra de bolso para comparar:

TANL aproximada ≈ TANB × (1 − 0,28)

Exemplos só para método (não são uma previsão do seu banco):

  • TANB 2,50% → cerca de 1,80% líquidos
  • TANB 3,00% → cerca de 2,16% líquidos

O englobamento no IRS pode compensar em escalões baixos e prejudicar em escalões altos. Se já organiza o IRS anual — por exemplo no âmbito de temas como IRS Jovem ou validação de e-Fatura — trate os juros de poupança como mais uma linha a planear com o contabilista, não como detalhe irrelevante.

Liquidez e penalizações: onde muita gente se engana

Rendimento alto com dinheiro “preso” sem você precisar pode ser ótimo. Rendimento alto com dinheiro que você pode precisar em 60 dias pode sair caro.

Depósitos

  • Não mobilizáveis: em regra só no vencimento
  • Mobilizáveis: levantam antes, mas muitas vezes perdem total ou parte dos juros
  • Campanhas “top” da tabela muitas vezes têm letras miúdas: só dinheiro novo, teto baixo, ou renovação a taxa bem pior

Certificados de Aforro

  • Resgate total ou parcial costuma ser possível após o primeiro vencimento de juros (referência clássica: a partir de cerca de 3 meses), com perda dos juros do período em curso — confirme a ficha da série
  • O valor costuma demorar alguns dias úteis a cair na conta AforroNet / associada

Pergunta-chave: Em que data eu posso precisar de pelo menos 30% deste dinheiro? Se a resposta for “não sei”, privilegie liquidez ou divida o montante em “tranches”.

Método prático para comparar em 15 minutos

  1. Defina o horizonte — 3 meses, 12 meses, 3 anos, 5+ anos
  2. Separe a reserva de emergência — essa fatia deve privilegiar acesso rápido (conta poupança/depósito curto mobilizável), não o máximo de TANB
  3. Abra 2–3 fichas de depósitos no site do seu banco e de um concorrente; anote TANB, prazo, mobilização, mínimos e “letras miúdas”
  4. Abra igcp.pt — taxa do mês dos Certificados de Aforro (e, se interessar, Tesouro), prémios de permanência e regras de resgate
  5. Converta tudo para TANL com a mesma hipótese de imposto (28% no Continente, salvo o seu caso)
  6. Ajuste pelo risco de renovação — depósito a 12 meses a taxa alta pode cair na renovação; Aforro tem taxa variável ao longo do tempo
  7. Some custos de conta — comissão mensal pode comer juros de montantes pequenos
  8. Decida a mistura — muitas famílias ficam bem com emergência líquida + depósito curto + tranche em Aforro

Quem costuma encaixar melhor em cada produto

  • Depósito a prazo curto — objetivo datado (entrada de renda, viagem, imposto) nos próximos 3–12 meses; gosta de taxa fixa contratada
  • Depósito “campanha” — só se você cumpre as condições sem contratar produto que não quer
  • Certificados de Aforro — poupança de médio/longo prazo, confortável com taxa variável e com a ideia de reforçar aos poucos; valoriza resgate após o período inicial mínimo
  • Certificados do Tesouro — quem aceita menos liquidez inicial em troca do perfil de taxas da série

Brasileiros recém-chegados: confirme residência fiscal, NIF e abertura de conta Aforro (AforroNet) com os documentos pedidos pelo IGCP/CTT nos canais oficiais. Sem conta elegível, a comparação teórica não sai do papel.

Riscos e mitos rápidos

  • “O Estado paga sempre mais” — falso em vários meses: há depósitos de campanha acima da taxa base dos Aforro; a média do mercado, porém, pode estar abaixo
  • “Depósito é sempre mais seguro” — ambos têm enquadramentos sólidos, mas diferentes; leia limites do Fundo de Garantia e a natureza de dívida pública
  • “Posso ignorar o IRS” — a diferença bruta vs líquida muda o ranking
  • “Vou colocar tudo num só sítio” — concentração + iliquidez é o erro clássico quando surge uma despesa inesperada

Checklist antes de aplicar

  1. Tenho reserva de emergência fora deste produto?
  2. Li a ficha/documento de informação completa?
  3. Calculei TANL, não só TANB?
  4. Sei a data e o custo de sair antes do tempo?
  5. Confirmei a taxa do mês em igcp.pt e/ou no simulador/preçário do banco?
  6. O montante mínimo e o “dinheiro novo” não me obrigam a endividar ou a mexer no essencial?

Conclusão

Em 2026, comparar depósitos a prazo e Certificados de Aforro em Portugal é menos sobre caçar um “número mágico” e mais sobre alinhar prazo, liquidez, imposto e letras miúdas. Use TANL, leia fichas, confirme taxas em igcp.pt e nos bancos no dia da decisão, e divida o dinheiro conforme a data em que pode precisar dele. Assim a poupança rende com método — não com pressa.

Publicidade

Publicidade